Como é fácil enganar um idiota: o caso da melancia azul

Não há nada mais fácil que separar um mané do seu dinheiro. Os dois parecem ser imãs com um único e igual pólo (dane-se o acordo ortográfico!) e, por isso, vivem se repelindo. Essa deve ser a mais perfeita explicação, pois não encontro outra. É muito fácil de enganar gente burra, e quando falam que “hoje as pessoas têm mais acesso à informação, estão sabendo mais”, só me faz rir descontroladamente.

Então, eu fico sabendo do caso da melancia azul – com uma polpa tão magnífica e fantasticamente azul, que ficamos com água na boca só de ver –, com gente vendendo até no Mercado Livre.

Se vocês procurarem por “semente de melancia azul” no Mercado Livre, darão de cara com isso:

Algumas pessoas compraram. Ok. E como podemos ver, tem as mesmas fotos. Não é estranho? Será que teríamos melancia de outra cor? Que tal verde?

Esta melancia azul, ao contrário do fotoxopão acima, é verdadeira. É a chamada Moon Melon, uma melancia japoneza, muito doce e excelente como decoração. O que podemos saber a mais sobre ela?

Buscando por longo tempo na internet (algo como 2 minutos) por “blue watermelon” (lembram quando seu professor de inglês falou que aquilo era importante? Pois, é!). Dou de cara logo com o Snopes, um dos melhores sites de busca por hoaxes (boatos) pela internet afora em língua inglesa.

Sim, queridos, é outro fotoxopão. E, o mais legal é como tem gente estupidamente burra a ponto de pagar 30 contos pelas sementes. Se receberem e plantarem, o resultado será nada, vão reclamar muito no Facebook, para depois comprarem um terreno na Lua ou dar o dinheiro pro pastor tirar as ziquiziras da sogra.

As pessoas não param para pesquisar. Se veem vendendo, deve ser verdade. O mundo é bonitinho demais para alguém passar a perna nos outros. Não conseguem perceber que todas as fotos são iguais, não há um vídeo, uma reportagem nem nada. Se bem que um mané que compra coisas direto do Mercado Livre não pode ser tido como a pessoa mais inteligente do mundo, ou é canalha, pois sabe muito bem as “origens” das coisas vendidas lá.

Então, segue-se o adágio: para haver um golpe é preciso que haja dois caras achando que vão se dar bem, mas apenas um efetivamente conseguirá.

E não será você!

Fonte: http://ceticismo.net/2014/11/19/o-caso-da-melancia-azul-ou-como-fcil-enganar-idiota/#more-12217

Divisões da Linguística: Leituras e pesquisas

Divisões da Linguística

“A linguística é o estudo científico da linguagem humana. Diz-se que um estudo é científico quando se baseia na observação dos fatos e se abstém de propor qualquer escolha entre tais fatos, em nome de certos princípios estéticos ou morais. ‘Científico’ opõe-se a ‘prescritivo’. No caso da linguística, importa especialmente insistir no caráter científico e não prescritivo do estudo: como  o objeto desta ciência constitui uma atividade humana, é grande a tentação de abandonar o domínio da observação imparcial para recomendar determinado comportamento, de deixar de notar o que realmente se diz para passar a recomendar o que deve dizer-se”.

MARTINET, André. Elementos de linguística geral. 8 ed. Lisboa: Martins Fontes, 1978

1. Considerando o foco da análise:

  • Linguística Descritiva (ou sincrônica): Fala de uma língua, descrevendo-a simultaneamente no tempo, analisa as relações existentes entre os fatos linguísticos em um estado da língua, além de fornecer dados que confirmam ou não as hipóteses. Modernamente, ela cede lugar à Linguística Teórica, que constrói modelos teóricos, mais do que descreve;
  • Linguística História (ou diacrônica): Analisa as mudanças que a língua sofre através dos tempos, preocupando-se, principalmente, com as transformações ocorridas;
  • Linguística Teórica: Procura estudar questões sobre como as pessoas, usando suas linguagens, conseguem comunicar-se; quais propriedades todas as linguagens têm em comum; qual conhecimento uma pessoa deve possuir para ser capaz de usar uma linguagem e como a habilidade linguística é adquirida pelas crianças;
  • Linguística Aplicada: Utiliza conhecimentos da linguística para solucionar problemas, geralmente referentes ao ensino de línguas, à tradução ou aos distúrbios de linguagem.
  • Linguística Geral: Engloba todas as áreas, sem um detalhamento profundo. Fornece modelos e conceitos que fundamentarão a análise das línguas.

2. Considerando o que constitui a língua:

  • Fonologia: Estuda os menores segmentos que formam a língua, isto é, os fonemas;
  • Morfologia: Estuda as classes de palavras, suas flexões, estrutura e formação;
  • Sintaxe: Estuda as funções das palavras nas frases;
  • Semântica: Estuda os sentidos das frases e das palavras que a integram;

3. Considerando suas conexões com outros domínios:

  • Psicolinguística: Estuda a relação entre a linguagem e a mente;
  • Sociolinguística: Estuda a relação entre a linguagem e a sociedade;
  • Etnolinguística: Estuda a relação entre a linguagem e a cultura (cultura não no sentido de erudição ou conhecimento livreiro, mas sim como as tradições de um povo, esta cultura que todos possuem.)

Noam Chomsky - O fundador da escola gerativista nos estudos de linguagem

Como  indicação para leitura, pesquisa e aprofundamento teórico, sugere-se a obra Reflexões sobre a Linguagem, de Noam Chomsky, publicado em 1975, trazendo as bases da ideia de gramática gerativa e da posterior escola gerativista.

Fonte: http://www.lendo.org/o-que-e-linguistica/

Sobre o que nos falta e somos capazes.

Sobre o que nos falta e somos capazes

“O maior perigo não é quando se teme o perigo, é quando se teme o remédio” – Padre António Vieira.

Sentimos a falta de Espiritualidade. Onde está a marca da espiritualidade cristã? Somos levados a procurar a intimidade com Deus, sabendo ler na nossa vida, em todos os lugares e situações, em todas as miudezas e gestos, que fazem mais necessária essa Consciência de abertura. Sempre a começar. A espiritualidade leva-nos a sujar os pés e as mãos; a gastar o corpo em vista dos outros; a usar o tempo na sua gratuidade. Move-nos o coração pela coragem de servir diariamente os irmãos? Não há espiritualidade sem aproximação às pessoas, sem procurar a transformação da realidade na linha da paz e da justiça.

Temos de escolher a Tenacidade espiritual.

Sentimos a falta de Profundidade. O olhar profundo que atravessa a compreensão para além dos cinco sentidos. Estes captam o exterior. A profundidade vai ao interior, em certo sentido fica aquém, está na seiva, no silêncio, no que gera a nossa necessidade de exterioridade. Onde se esconde o que não tem preço? Nesta procura esbarramos com aquilo que nos ilumina o pensamento, renova o desejo, nos motiva nas atitudes. Atingimos a maior profundidade quando chegamos ao Amor da Trindade. Aí repousa o Espírito de profundidade.

Temos de escolher o caminho do Trabalho interior.

Sentimos a falta da Comunidade. Nas famílias e nas histórias. Nas crises e nos sonhos. Nossos círculos de influência e pertença que não alimentam mais. Bancos alimentares contra a Fome. Nossa fome de Bem Comum. Nossa fome de Beleza e Sorrisos. Nossa fome de Verdade e Seriedade. Como está a nossa comunidade humana? «Em casa de meu Pai há muitas moradas» (Jo 14,2). Juntos permanecemos na derrota e na vitória. Separados somos menos que Nada. Deixamos de ser. Juntos somos Terra. Separados somos Pó. Aprender a dar o primeiro passo em conjunto.

Temos de escolher a observância da Partilha despojada.

Sentimos a falta de Diálogo. As palavras vão e voltam. Ao ir levam, ao voltar trazem. Sacos de compras vazios. Nos cruzamentos da Vida o diálogo cresce na diferença dos lados. Se saímos como entramos, será que dialogamos? Aguardamos indiferenças. Quando nos abrimos ao outro, habita-nos uma dupla experiência: de uma parte, a nossa identidade tem algo a dizer, enriquecendo o outro; de outra parte, temos também fragilidades e limites, que serão superados pelo acolhimento dos outros. Todo o diálogo nos dispõe para a escuta de Deus. Acreditemos no dom que Ele nos faz.

Temos de escolher (sempre) o lado Bom das pessoas.

Pedro José, CDJP, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, 15-05-2014, caracteres (incl. esp), 2439.

Posted on 15 de Maio de 2014 por cefas1972 | Etiquetas Comunidade, Diálogo, espiritualidade, Padre António Vieira, Profundidade | Deixe o seu comentário

Poesia: Chapadinha 76 anos (Cidade altaneira)

Cidade altaneiraImagem
Em linhas retas precisas ser
Completas mais um ano que testemunha o relógio biológico do tempo
Não é nova nem velha
És inteira
Tua idade inventada pelos homens não corresponde à grandiosidade de
tua magnífica geografia, que irradia

Cidade altaneira
Tua imagem está estampada no fervor das ruas, das calçadas nuas
Das praças públicas, dos becos estreitos em cada adereço e endereço
Nos canteiros desajeitados onde se esconde tua flora bela e doce
Nas crianças negras e brancas, pobres e ricas, tímidas e audaciosas
Nas mães que acalentam seus filhos e nos filhos que procuram suas mães

Cidade altaneira
Teus desejos dissecados
Deleitam-se em cada rosto dos teus filhos amados
Teus filhos amados sendo amados
Tu terás um rosto nobre almejado

Cidade altaneira
Teu progresso permanece vivo e pronunciado
Mas com passos lentos e cadenciados
Ainda não foram alcançados
Pedimos-te perdão pela mera presença
Sem engendrar um olhar profícuo
Que tantas vezes só profiglou tua imagem
Fazendo-te descer diante do espelho

Cidade altaneira
Teu voo quer ir longe
A timidez embaçada
Faz-te embocar num leito largo desconhecido
Onde as lágrimas se desconhecem,
O riso se cala
E a razão se confunde

Cidade altaneira
Tu tens afeto de mãe que acolhes todos os homens
E fazes deles filhos teus
Tua história penetra nas veias
E na alma de cada ser que por ti passou

Cidade altaneira
Tua forma, teu corpo, relevos e chapadas
Misturados à multidão que transborda vitalidade
Multidão sem recuo no riso
Quer fazer de ti um pequeno paraíso preciso, com juízo e otimismo
Uma grande nau

Robson Silva

 

Pesquisas e leituras em Psicolinguística

ImagemA PESQUISA EM PSICOLINGÜÍSTICA

Joselaine Sebem de Castro
      Acredita-se que o termo “psicolingüística” tenha aparecido pela primeira vez em um artigo de Proncko, em 1946, no qual se colocava como abordagem central o relacionamento entre o pensamento (comportamento) e a linguagem. Contudo, foi somente em 1951 que se deu a publicação de um livro para tratar especialmente das relações entre lingüística (fatos lingüísticos (1)) e psicologia (problemas de comunicação (2)).
      Nessa fase, os estudos abarcados por esse campo interdisciplinar constituíam uma tentativa de encontrar respostas para questões comuns às duas disciplinas. Identificava-se, ainda, a existência de dois caminhos opostos: um que partia da Psicologia para a Lingüística e outro que partia da Lingüística para a Psicologia.
      Na Psicologia, os estudiosos buscavam compreender o funcionamento da linguagem como um meio para se chegar a uma melhor compreensão da mente humana, pois acreditavam que esta se organizava de forma análoga à linguagem e através dela. Vislumbravam-se, então, duas correntes: a mentalista, que explorava o pensamento através da linguagem, e a comportamentalista, que buscava entender o comportamento lingüístico, reduzindo-o a uma série de mecanismos de estímulo-resposta.
      Na Lingüística, a busca pela teoria psicológica apareceu especialmente pelos introdutores do método histórico, que tentavam fundamentar suas explicações sobre as mudanças lingüísticas no associacionismo psicológico (3). A demonstração feita por Wundt (4) de que a linguagem poderia ser em parte explicada com base em princípios psicológicos motivou a adesão de muitos lingüistas, especialmente porque as propostas e métodos do psicólogo obedeciam ao rigorismo científico, o que contribuiria para uma abordagem mais científica da linguagem.
      A dificuldade de aplicar análises psicológicas aos fenômenos contemporâneos a partir de uma perspectiva histórica acabou por reduzir a colaboração entre as duas áreas. Com a introdução da descrição sincrônica das línguas, feita pelo estruturalismo lingüístico, Psicologia e Lingüística reaproximaram-se.
      Esse período foi bastante produtivo, principalmente devido ao sucesso do estruturalismo (5) e do comportamentalismo (6). Também, destaca-se um relacionamento mais igualitário entre Psicologia e Lingüística, com contribuições e descobertas de ambos os campos. De acordo com Kess (1992), essa relação mais simétrica foi possibilitada pelo fato de os dois paradigmas serem operacionalistas, isto é, buscavam construir suas teorias com base nos fenômenos observáveis e através de um conjunto de operações verificáveis que são facilmente explicitadas. No entanto, uma colaboração mais estreita entre as duas ciências foi dificultada, por um lado, porque os comportamentalistas reduziram a linguagem a atos de fala observáveis, minimizando o papel das estruturas mentais e, por outro, porque os estruturalistas julgavam a semântica inacessível à pesquisa lingüística. Como explica Scliar-Cabral (1991), uma psicologia que não estuda a mente e uma lingüística que não estuda o significado têm pouco a oferecer uma à outra.
      A Teoria da Informação (7), surgida logo após a Segunda Guerra, ofereceu à Psicolingüística uma base epistemológica mais consistente. Por volta dos anos 50, a Psicolingüística era definida como o estudo dos “processos de codificação e decodificação no ato da comunicação, na medida em que ligam estados das mensagens e estados dos comunicadores” (Osgood e Sebeok, 1954, ap. Titone, 1976: 24). Seguindo a definição, a unidade de comunicação, objeto de análise dessa ciência, era descrita como englobando os seguintes elementos:

      Com o crescente aumento de pesquisas e descobertas, surge a necessidade de agrupar e organizar tais materiais que tratavam de problemas comuns. Em 1954, Osgood e Sebeok editam o material apresentado em um famoso simpósio realizado no ano anterior, na Universidade de Indiana. A partir de então, a ciência Psicolingüística ficou mais bem definida, assim como mais bem esclarecidos seus métodos e limites de atuação.
      Em 1959, o operacionalismo, característico tanto do comportamentalismo como do estruturalismo, é fortemente criticado por Noam Chomsky, lingüista que propõe uma abordagem racionalista e dedutiva para a ciência. Assim, os fundamentos da Psicolingüística foram abalados, ocasionando uma diminuição gradativa do comportamentalismo e uma revigoração do mentalismo, embora em novas bases. A partir daí, a Psicolingüística assume como paradigma teórico central o modelo chomskyano, proposto para a Lingüística, o qual propunha, principalmente, que:
      a) as sentenças faladas (estruturas superficiais) seriam derivadas de estruturas profundas, através de regras transformacionais, que se organizam numa gramática ou sintaxe;
      b) este componente sintático (Gramática Universal-GU), capaz de gerar qualquer e somente uma língua, deveria ser inato à espécie
      c) se distinguisse entre a competência (conhecimento que um falante nativo ideal tem de sua língua) e a performance (atividade do falante numa situação comunicativa concreta).
      À teoria lingüística cabia o estudo da competência – tendo como componente central a sintaxe – e o seu objetivo seria a construção e descrição de uma Gramática Universal que permitisse entender como a linguagem surge e se diferencia, em línguas distintas, na mente humana. A dificuldade de encontrar evidências experimentais que sustentassem as teorias, assim como a verificação de que não apenas a estrutura sintática, mas também a semântica e a pragmática seriam importantes no processamento de sentenças foi ocasionando o abandono dessa linha de pesquisa.
      As mudanças na teoria lingüística chomskyana, juntamente com a consideração de fatores semânticos e pragmáticos, propiciaram uma ampliação e enriquecimento da Psicolingüística. Atualmente, observa-se, então, uma abordagem mais cognitivista, na qual os aportes da teoria lingüística, embora ainda importantes, perderam seu caráter de exclusividade, sendo a linguagem apenas um dos fatores da cognição.
      Os novos experimentos sobre a realidade psicológica das estruturas e operações sintáticas (8) mostraram que tais estruturas desempenham função na memória e na organização cognitiva. Também se verificou que as estruturas lingüísticas não são adquiridas separadamente dos conceitos semânticos e das funções discursivas, além de estarem submetidos aos princípios cognitivos. A aquisição da linguagem passou a ser explicada como o resultado da interação entre vários fatores. Rejeitando a centralidade e independência da gramática, o paradigma cognitivo (9) ampliou e tornou mais variado o campo dos estudos psicolingüísticos, aproximando-os de outras ciências relacionadas (10) (como a Antropologia, a Filosofia da Linguagem, a Inteligência Artificial).
      Scliar-Cabral (1991) apresenta os seguintes assuntos como de interesse da Psicolingüística:

relações entre pensamento e linguagem;
aquisição da linguagem;
neurofisiologia da linguagem;
fatores inatos, maturacionais e experienciais;
processamento dos sinais lingüísticos;
processamento textual;
memória semântica;
distúrbios de aquisição e processamento da linguagem.

      Pode-se perceber, conforme essa lista, que predomina o enfoque de questões como a relação entre linguagem e cérebro, incluindo os fundamentos biológicos da linguagem, sua neurofisiologia e os prejuízos do processamento causados por lesão cerebral; as relações entre pensamento e linguagem, como um produto do sistema cerebral; os sistemas de processamento mental da linguagem, incluindo os subsistemas lingüísticos (fonética, sintaxe, semântica, etc.) e os subsistemas psíquicos (percepção, memória, conhecimento de mundo, etc.); processamento de unidades amplas como o texto e o discurso; e a aprendizagem de outros sistemas lingüísticos como a leitura e a escrita.
      Dada a relevância natural dos tópicos abordados pela Psicolingüística, são bastante numerosas, no Programa de Pós-Graduação em Letras da Faculdade de Letras da PUCRS as dissertações de mestrado (11) e as teses de doutorado (12) que recaem nessa área do saber, mais especificamente na linha de pesquisa denonimada “Processamento cognitivo da linguagem e conexionismo (13)“, como pode ser exemplificado através do estudo realizado por Castro (2004) (14). Do mesmo modo, no Centro de Referência para o Desenvolvimento da Linguagem – CELIN, vinculado a esse programa, vêm sendo realizadas pesquisas (15) nessa mesma linha, tendo como eixo temático a compreensão da leitura. As descobertas científicas, possibilitadas especialmente pelo desenvolvimento das técnicas de imageamento cerebral (16), com certeza ainda instigam mais a curiosidade sobre as bases neurológicas do fenômeno da linguagem, fomentando novos e importantes conhecimentos.

 
REFERÊNCIAS
ENGELKAMP, J. Psicolingüística. Madrid: Gredos, 1981.

KESS, J.F. Psycholinguistics: psychology, linguistics and the study of natural language. Amsterdam: John Benjamins Publishing Company, 1992.

MCCLELLAND, J. D. & RUMELHART, D. E. Parallel distributed processing: explorations in the microstructure of cognition: psychological and biological models. V.2. Cambridge: MIT, 1986.

SCLIAR-CABRAL, L. Introdução à Psicolingüística. São Paulo: Ática, 1991.

TITONE, R. Psicolingüística aplicada. Buenos Aires : Kapelusz, 1976.

 

MEDO

Assim como o fogo consome o aço;

Assim é o medo em mim.

Medo que abala meu ser inabalado;

Me priva de paixões impossíveis;

Me aprisiona em espaços inexistentes;

Me curva da dor criada sem saber a direção.

 

Medo de tudo

 

Me faz perder chances inatingíveis;

Me torna pequeno mesmo sendo grande,

na grandeza ilusória do ser humano

e na pequenez sensata da matéria.

 

Medo de tudo

 

De dizer e calar;

De calar e não dizer;

Silenciar quando é preciso;

Ser quando é permitido;

E não voltar a ser.

 

Me-do do aconhego aconchegante de não sentir medo.

 Robson Silva

Poesia: Turbilhão de sensações

Imagem

Me sinto no direito de me sentir

Assim tão fraco, tão desanimado, tão sem jeito

Neste ofício desafiante: moldar cabeças pré-feitas

Transmitir saber sabendo que muitos não receberão.

Minha disponibilidade inocente;

Postura atraente ou empatia doente.

Meus passos encolhem-se no piso morto;

Meu gingado elegante timidamente desaparece

na poeira quase invisível.

Meu sorriso nobre estranha-se com a alegria.

Minha sensibilidade emudece-se.

Meus reflexos confundem-se.

Meu olhar pálido grita pelo esgotamento do tempo.

Meu humor alterado adulterado chega em lugar nenhum.

Me retenho no ponto oculto-inexistente.

Busco superação no hoje que demora ser absolvido.

Revigora-me.

Encontrar-me.

Encher-me de esperança não vencida.

Cumprimentar-me no caminho que me leva pra casa.

 

Robson Silva

Pensamentos ligeiros poéticos

“Em dias incomuns você surgiu como o sol que invade o tempo sem pedir licença.

Entrou de mansinho desfazendo o estado inerte do meu ser, levando-me a fronteiras impossíveis e calmas.

Com seu olhar profícuo roubou minha atenção desatenta, sem rumo

Olhar penetrante que invadiu minhas estruturas e abalou meu coração

E me fez idolatrar seu corpo virgem perfeito anjelical

Você veio de reinos nunca vistos e/ou habitados

Mesmo assim sem saber, me encantou

Você é a essência do prazer.”

 

Robson Junior 

‘ Não são apenas 0,20 centavos’

“Não são apenas 0,20 centavos. Não é só o aumento do preço da passagem do ônibus enquanto este continua precário. É a conspiração de um amontoado de sobrecargas estudais que abusam da sociedade como fantoches movidos ao cabresto, já que ônibus anda superlotado. E não é só a superlotação dos ônibus, é a superlotação da hipocrisia egocêntrica, de sentar no sofá e assistir com apatia os noticiários enquanto o carro na garagem cabe no ego de muita gente. É nomear de vândalos aqueles que lutam contra a soberania militar, é esquecer que somos brasileiros e que independentemente do transporte, do bolso, da carne, somos humanos. A PM os julgam de fascistas e nós à eles julgamos ditatoriais, como tal feito, radicais. Soltar a voz em nome da revolução é propagar a nossa irreverência ao que deveria ser justo, mas que não é. Sob o espírito de Che Guevara, a nossa sede em massa pela mudança dessa barganha corrosiva veste nas ruas cartazes que pintam o futuro com a tentativa de amenizar não só 0,20 centavos, mas toda a teia da corrupção e opressão. Enquanto uns dormem no seio do conformismo, outros batalham pelo caos que muitos não compreendem. Ser imparcial é uma ferida que cresce e que afoga o Brasil. E como diz a Juliana: O robocop do governo é frio, não sente pena, só ódio e rir como hiena.”

- Pedro St

fonte: http://capitule.tumblr.com/post/52980540378/nao-sao-apenas-0-20-centavos-nao-e-so-o-aumento

Fragmento: Caracterísitcas da linguagem

Algumas das características fundamentais da linguagem, são as que se apresentam de seguida:

. Transmissível e traduzível noutra linguagem: uma linguagem caracteriza-se pela possibilidade de se transformar noutra e de permitir a comunicação entre diferentes pessoas que de outra forma não se poderiam entender.

. Fenômeno social: a linguagem é um fenômeno social na medida em que exprime a relação que uma sociedade estabelece com o mundo circundante e a civilização dessa sociedade; a linguagem é prévia ao indivíduo e impõe-se a ele próprio. Esta dimensão social não impede, contudo, que a linguagem seja um meio de expressão do pensamento individual na medida em que o indivíduo pode rearranjar, recompor, recriar vocábulos, atribuir-lhe novos significados.

. Organização racional: a linguagem é uma organização racional na medida em que possui um conjunto de regras, isto é, com uma determinada sintaxe. São estas regras que, em resultado de um longo esforço de racionalização, estabelecem as formas de combinar significativamente os símbolos.

. Possibilidade de dar sentido: uma outra importante característica da linguagem é a possibilidade que esta dá de dar sentido/significado às experiências, noções e pensamentos de cada um.

Fonte: http://www.knoow.net/ciencsociaishuman/filosofia/linguagem.htm

Linguagens do amor

Amo-te no respirar infinito

Amo-te respirando o ar poluído de amor

Amo-te amando na efemeridade temporalAMO-TE

Amo-te quase sempre todos os dias

Amo-te na velocidade inexistente do amor

na fantasia e na verdade da linguagem

Amo-te tanto que chego a ser um nada

No meu imperfeito de encontro a ti.

Robson Silva. (Palavras ligeiras extraídas do silêncio)

Preconceito linguístico (Mitos)

Oito mitos sobre a língua portuguesa falada no Brasil baseados na obra do linguista Marcos Bagno, Preconceito linguístico.

 Mito n° 1: “A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente”

Segundo o autor, esse é o mais sério mito pois é muito forte sua aceitação que até mesmo intelectuais de renome aceitam essa ideia. O problema dessa afirmação é que ela acaba com a inegável variedade linguística brasileira e exclui qualquer pessoa qua não fale no modo dessa “unidade” que nuca existiu. Até parece que no Brasil, um país de mais de 190 milhões de pessoas e o 5º maior em extensão territorial do planeta, todos falamos da mesma forma!?

Mito n° 2: “Brasileiro não sabe português /Só em Portugal se fala bem português”

 Esse mito está relacionado a uma visão com complexo de inferioridade de um país colonizado por outro mais antigo e “civilizado”. É claro que o brasileiro sabe português, o problema é que o português de portugal e o português brasileiro são diferentes. Não é a toa que existem duas gramáticas que diferenciam essa variedade da língua (a portuguesa e a brasileira). E também os portugueses tem falas que fogem a sua própria regra (o que é comum em todas as línguas).

Mito n° 3: “Português é muito difícil”

É claro que o português não é difícil pois crianças de 5 anos (conheço de até de 2) já conseguem falar português. A dificuldade está no estudo da gramática que, por ser baseada na de Portugal, é diferente da nossa língua falada. É o caso da mesóclise que todos aprendem na escola, mas na hora de falar nem a norma culta a utiliza (norma culta é aquela que é utilizada por pessoas que tenham nível superior).

Mito n° 4: “As pessoas sem instrução falam tudo errado”

Um grande exemplo que o autor cita para refultar essa ideia, é o fato de que uma característica das pessoas “sem instrução” falam é trocar o “L” pelo “R”. Exemplo: chicrete, praca, broco, pranta. Estudando cientificamen­te a questão, é fácil descobrir que não estamos diante de um traço de “atraso mental” dos falantes “ignorantes” do português, mas simplesmente de um fenômeno fonético que contribuiu para a formação da própria lín­gua portuguesa padrão. As origens de algumas palavras que eram com “L” em sua origem e depois ficaram com “R”como por exemplo: branco (blank), brando (blandu), cravo (clavu), etc. E o que falar de Luís de Camões que escreveu ingrês, pubricar, pranta, frauta, frecha na obra Os Lusíadas!?

Mito n°5: “O lugar onde melhor se fala português no Brasil é o Maranhão”

Este mito, que eu não conhecia, se deve ao fato de que muitas pessoas no Maranhão utilizam o “tu” junto com os verbos em sua flexão clássica: : tu vais, tu queres, tu dizes, etc. Porém no Maranhão também é comum o uso de expressões como: Esse é um bom livro para ti ler, em vez da forma “correta”, Esse é um bom livro para tu leres.

Mito n° 6:   “O certo é falar assim porque se escreve assim”

Outra forma de preconceito que não tem muito fundamento pois em nenhuma língua do mundo se fala do jeito que se escreve ou se escreve do jeito que se fala. Até porque a escrita surgiu para tentar representar a fala. Mas é perceptível que em línguas como o inglês e o francês é, praticamente, impossível, mesmo em sua própria gráfia, reproduzir todos os sons das palavras na escrita.

Mito n° 7: ” É preciso saber gramática para falar e escrever bem”

Uma crítica que o autor faz para justificar essa afirmativa (mas não deixa de ser verdade) é que os grandes gramáticos não são bons escritores e vice-versa. Exemplos: Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade e Machado de Assis admitem ter dificuldade na língua.

  
Mito n°8:  “O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social”

O autor também faz uma crítica ao fato de que se isso fosse verdade, os professores de português ocupariam o topo da pirâmide social, econômica e política do país. E em contra-partida um fazendeiro que não estudou muito e tem inúmeras terras ou cabeças de gado tem um poder político e econômico considerável.

Em todos estes mitos o autor defende a ideia que esse preconceito está mais ligado as questões sociais e regionais do país. Fica aí a dica: Cuidado para não discriminar alguém por sua fala pois ninguém fala errado, apenas diferente da norma padrão!

 FONTE: http://www.mundodse.com/2011/06/os-8-mitos-do-preconceito-linguistico.htmlImagem