PSICOLINGUÍSTICA: Estudos e reflexões

Publicado: 12/02/2012 em Livros

Contribuições dos estudos em psicolinguística: Chomsky, Piaget e Vygotsky

 

“Não há corpo vivo sem trocar experiências com seu espaço”

                                                      (FREIRE, 1994, p. 158)

A Psicolinguística é uma ciência híbrida, ou seja, uma ciência resultante da junção entre a Psicologia e a Linguística. Surgiu em 1950, quando os linguistas se interessaram pelo funcionamento da mente e em saber como a linguagem se processa na mente. De início, houve uma grande dificuldade para que os linguistas de fato conseguissem conhecer mais sobre como se dava esse processamento, pois a Psicologia da época (enquanto ciência comportamentalista) acreditava que o estudo da mente era inacessível – como uma “caixa preta” sobre a qual os estudos científicos não poderiam se debruçar. Por outro lado, a Linguística de então, de domínio estruturalista, estava focada em um estudo sistêmico das línguas, com especial enfoque à fonética/fonologia e à morfologia, tendo muito pouco a dizer a respeito da construção de sentido.

            No ano de 1959, então, aconteceu uma reviravolta: Noam Chomsky, linguista de grande prestígio, escreveu uma resenha crítica à obra de Burrhus Frederic Skinner (psicólogo comportamentalista), intitulada “Comportamento verbal”, a qual aborda o processo de aquisição da linguagem nos seres humanos como um reflexo por imitação/reforço, e instrui um novo olhar, sob um novo ângulo, para a Psicolinguística, de maneira a transferir o foco da imanência sistêmica das línguas e buscar os universais da faculdade de linguagem.

O inatismo de Chomsky

Os seres humanos são os únicos animais que nascem com capacidade para falar, ou seja, são biologicamente programados para desenvolver uma linguagem complexa em relação aos demais tipos de linguagem existentes. Noam Chomsky é um grande defensor dessa idéia.

Para Chomsky, a fala que os adultos apresentam às crianças é mal formada, limitada e possui hesitações, portanto, é inverossímil que uma criança aprenda a linguagem a partir dessas fontes externas – ou seja, Chomsky acredita que esses “dados de entrada” (inputs) não servem como um fator determinante da aquisição da linguagem e que deve existir algum mecanismo mental inato para a aquisição.

A partir de tais suposições, Chomsky questiona (no sentido de colocar as cartas na mesa) o fato de que todo sujeito nasceria com uma Gramática Universal (competência inata). Sendo um inatista, ele acredita que essa mesma competência inata funcionaria, metaforicamente, como um “órgão biológico, que evolui no indivíduo como qualquer outro órgão” (RAPOSO, 1992, p. 47). Tal argumento justifica a Gramática Universal proposta por Chomsky (GU) como “o sistema de princípios, condições, e regras que são elementos ou propriedades de todas as línguas humanas não meramente por acidente, mas por necessidade”. Assim a GU pode ser entendida como a expressão da “essência” da linguagem humana.

O Cognitivismo de Piaget

Formado em Biologia pela Universidade de Neuchâtel, Jean Piaget (1896-1980) realizou uma série de pesquisas com o intuito de compreender aspectos cognitivos do desenvolvimento humano. Sua obra foca o universo da psicologia e toma a linguagem como parte de suas discussões sobre a gênese do conhecimento (nesse aspecto, Piaget compartilha com Chomsky a existência de um núcleo fixo para a linguagem, tanto quanto para o conhecimento, mas discorda de que esse núcleo seja inato).

Para Piaget, defender a existência de um núcleo fixo inato para a linguagem implicaria inferir que, assim como os processos de seleção natural propostos por Charles Darwin, a linguagem seria um golpe do acaso. Portanto, Piaget considera a dimensão exógena (objetivista), focalizando a origem do conhecimento (para nós, conhecimento linguístico) pela interação do sujeito com o objeto de conhecimento (para nós, a língua).

 O Interacionismo de Vygotsky

Lev Vygotsky (1896-1934) é nascido no mesmo ano que Piaget, da mesma forma como coincidem as datas da produção acadêmica dos dois pensadores. No entanto, apesar de terem vivido em contextos culturais e políticos muito distintos, o interesse nas origens da linguagem e do pensamento do ser humano revela-se nas produções científicas de ambos.

A abordagem de Vygotsky, porém, preocupou-se não só em mostrar que os processos de desenvolvimento psicológico não podem ser tratados como eventos estáveis e fixos, mas também em explicar como a maturação física e a aprendizagem sensório-motora interagem com o ambiente de modo a produzir as funções complexas do pensamento humano. Por esse motivo, a comunicação entre as pessoas recebeu muito destaque em sua obra devido à importância que Vygotsky deu à linguagem exigida nas trocas sociais. Ao dar nome, fazer associações e relacionar objetos constrói-se a realidade e, desse modo, os processos mentais vão dando forma ao pensamento e orientando o comportamento.

FREIRE, Paulo. Cartas à Cristina. São Paulo: Paz e Terra, 1994.

RAPOSO, Eduardo. Teoria da Gramática: a faculdade da linguagem. Lisboa: Caminho, 1992.

SLOBIN, Dan Isaac. Psicolinguística. São Paulo: Editora da USP, 1980.

http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/cp/arquivos/965.pdf

FONTE:http://didaticamentefalando.blogspot.com/2011/06/contribuicoes-dos-estudos-em.html

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