Isto aconteceu numa escola da rede municipal de ensino, zona rural, deste município(Chapadinha). Gostaria de partilhar essas observações que foram feitas por mim, numa das minhas andanças pelas escolas exercendo a função de Supervisor Educacional. É o retrato de uma aula sem planejamento. Leia.

 

 

O sinal não toca. Não há sinal para o início da aula. Os alunos e a professora chegam á escola (não no horário previsto), mas chegam. Todos se acomodam em suas “poltronas” desconfortáveis. Os alunos pegam seus cadernos e livros, colocam sob a carteira e ficam esperando o início da aula. A professora dá um bom dia bem longo, cumprimento fático de todos os dias. Em seguida, ela pega os cadernos da maioria dos alunos e começa a fazer dever pra eles. Horas passam, os alunos começam a ficar inquietos. Alguns vão recebendo as tarefas feitas no caderno, fazem o dever e começam a bagunçar a aula, enquanto a professora ainda está ocupada fazendo tarefas nos cadernos para os alunos que faltam. Alguns alunos mais desenvolvidos, perguntam:

__Professora, eu faço uma cópia?Ela responde:

__Não.

Em alguns segundos, quase todos os alunos ficam ao redor da professora. Uns discutem com elas algumas palavras. Outros brincam de “aviõezinhos”, fazem desenhos na lousa, no caderno, arriscam uma leitura no livro didático, contam as páginas do livro. Um grupinho no fundo da sala, conversa sobre assuntos diversos. Enquanto tudo isso acontece, uma garota “especial” fica olhando atentamente o desenrolar da aula, sem saber o que está acontecendo. O garoto que ora contava as páginas do livro, põe o rosto em cima dos cadernos tentando tirar um soninho. De repente uma aluna imitando a professora noutro lado da sala, num quadro improvisado, escreve deveres para o colega copiar.

                     Esse é o retrato fiel de muitas práticas de professores em sala de aula  das nossas escolas. Professores que muitas vezes ou sempre, ignoram o planejamento. Dizem não ter muita consistência, principalmente professores alfabetizadores que confiam suas práticas de alfabetização numa experiência mecanicista, desatualizada, numa prática “bancária”, como dizia Paulo Freire. É o famoso faz-de-conta. O aluno faz de conta que aprende e o professor faz de conta que ensina.

SILVA,Robson.