Festinha de baby chá

Um
dia desses fui convidado para participar de uma festinha de baby chá. Como
todos sabem é uma festinha típica de quem engravida e pede uma mãozinha pro
amigos no enxoval do filho. Pois bem, coloquei um tênis branco todo enlamaçado,
isso porque na minha cidade tem muitos buracos e não deu tempo de lavá-los. Vesti
uma camisa preta com design musical, uma bermuda jeans, peguei minha câmera fotográfica,
saí com minha esposa e minha filha pra essa festa. Confesso, já ia receoso, porque
festas como esta não faz o meu tipo. Chegando lá, como sempre acontece,demos o
presente para a futura mamãe, tiramos fotos e sentamos ao lado, em umas cadeiras
brancas de plásticos. Enquanto isso ia chegando vários outros convidados,
elegantes, com as mãos cheias de presente e um sorriso meio que amarelado no rosto,
tiravam fotos também. Nesse espaço de tempo eu também ia tirando algumas fotos
do ambiente, das pessoas que se encantavam com a minha filha, como papai convencido
que sou, ia fotografando todos os ângulos.

O tempo passava e aquilo já estava ficando chato ou
sou eu é que estou ficando velho,
que não consegue
ficar numa festa dessa natureza.

Mas
para alegrar o momento, chegou uma amiga com seu sorriso metálico, trazendo um
aparelho de som, porque até aquele momento parecia mais uma sala de creche com
gritaria de meninos ou era como se todos ali estivessem esperando o corpo de
alguém para ser velado. De repente, chegou uma garota desconfiada, a bichinha
parecia que estivesse com diarréia. Chegou e já ia sentando, mas a futura mamãe
foi até ela pra receber o presente e agradecê-la. Ela deu um sorriso tímido, colocou
a língua pra fora e deu um beijo melado meio que sem jeito no ombro da gestante.
Eu sentado todo sem jeito, sem ninguém pra conversar, ia disfarçando bem, até
que não agüentei mais e disse para minha esposa que estava ocupada conversando
com outras pessoas, que iria embora. Saí e fui pra casa escrever essas poucas
linhas desse dia legal. Acredito que lá deve ter sido muito bom pra quem gosta daqueles
suculentos bolos, doces e salgados em geral. Eu estou bem.

Silva, Robson. Minhas
primeiras crônicas.