MINHAS PALAVRAS

Minhas palavras sangram num dia frio.

Gemem dia e noite querendo invadir mentes.

Mudar a direção do rio, colorir o brilho do sol.

Enaltecem-se, emudecem-se, cheiram sem odor.

Transportam gestos pelas vias mais difíceis.

 

Incomodam-se consigo mesmas.

Esvaem-se de mansinho e naufragam nos ares empoeirados.

Minhas palavras cantam passos de lebre.

Dissipam passos de tartaruga. 

Celebram ideias contempladas na poesia.

Convocam
olhares sisudos e singulares.

Reconstroem
pensamentos solitários.

Vasculham
horizontes longíquos

Com os
pés soltos na terra

Derrubam
árvores da ignorância metamorfósica.

 

Minhas palavras
nascem na efemeridade do tempo.

Surgem do
infinito gosto de serem palavras descamufladas.

Desenham
um mundo ao relento das paixões.

Sonham acordadas
sem lençois coloridos.

Minhas palavras
são o meu universo.

Autor: Robson Silva