NEM PESSIMISMO EXAGERADO NEM BOBICE SIMPLÓRIA

REALISMO EXIGENTE É O
MELHOR
(*).

 

 

       
“Não sou analista de profissão nem vigia público por necessidade.
Também não sou cego, nem surdo. Felizmente! Vejo e ouço o que se diz por
aí e por aqui. E quem vê quer ver! E algumas coisas que se ouve era
melhor não ouvir. A Paróquia tem sido testemunha atenta e preocupada da
falta de ética, da nenhuma transparência das sucessivas administrações
municipais. Interveio ativamente na eleição do Dr. José Almeida. Depois
arrumou-se, não da responsabilidade, mas da administração partidária. E
está decepcionada. O Evangelho não é neutro. E os cristãos não podem ser
abúlicos. Ao menos, que haja um pouco de responsabilidade pelo
desenvolvimento e alguma ética! A atual administração estará hoje em
análise, não para condenação, mas para que a população acorde para
situações graves que vivemos. É uma opinião e benévola!

 VISTA DE CHAPADINHA

        Se nas famílias o álcool é o combustível da violência (80% das
famílias sofre com a bebedeira!), na sociedade, a fonte da carência e
causa das desigualdades sociais, nesta quinta potência econômica
mundial, é a corrupção política. Basta não ser totalmente insensível ao
bem comum e escutar alguns comprometidos membros do Senado e da Câmara
(que, graças a Deus, ainda os há!) para notar a gravidade da situação:
vencimentos estapafúrdios, primazia em tudo garantindo privilégios
inexplicáveis, faturamentos impossíveis feitos com recibos falsos,
enormes somas retiradas do erário público para benefício próprio
(campanhas eleitorais, faturamento de estradas não efetuadas, projetos
que não avançam…), mordomias e megalomanias luxuosamente alimentadas,
comissões clandestinas retiradas de projetos públicos… Neste contexto,
Chapadinha não é exceção. O poder, ansiosamente procurado, é
corruptamente exercido, funcionando como mina de ouro para exploração
familiar. Pelo menos, é o que, com evidência, aparece e parece! Veja-se,
por exemplo, o sobre-aproveitamento de aluguéis de prédios particulares
para a Prefeitura, com prejuízo para o patrimônio público e o não se
comprar uma máquina de terraplanagem sequer para uso municipal, porque
há empresas particulares de correligionários que precisam ser
beneficiadas. O desmantelamento geral é evidente, a farsa democrática
terrivelmente notória, a incompetência administrativa escandalosa e a
fúria lucrativa insaciável. No passado, não foi diferente. Desprezou-se a
educação, esqueceu-se a saúde, privilegiou-se o populismo alienante,
habituou-se o público à pedincha e a viver de favorzinhos, praticou-se,
por atrevida teimosia, um relaxamento administrativo. Quem, na altura,
participou ou, agora, deseja apoiar (certamente, por 
fé!) mostra que não tem critério nem vergonha. A ética não se pode
domesticar nem privatizar para uso arbitrário. Sua falta é crime em tudo
e em todos, não só nos que chamamos de adversários. Agora o imoral é
pretender justificar o mau presente com outro mau passado. Águas
passadas não podem servir para lavar a sujeira do presente. A ética
transcende interesses particulares. Isto para quem não é masoquista nem
pateta alegre.

 

     CHAPADINHA - PRAÇA DA BÍBLIA    A concentração do poder e um descarado nepotismo são as duas
dobradiças desta pútrida prática. Aceitar familiares nos altos escalões
leva a desconfiar. Parece quererem transformar tudo em empresa familiar
para promoção de benefícios individuais. As contas bancárias,
possivelmente, sobem, mas o povo, evidentemente, desce ladeira abaixo. O
aviltamento social aumenta, a desagregação de valores persiste,
fomenta-se uma descarada busca de privilégios. Parece que a
administração pública não passa de uma agência para repartição de
favores e comissões, uma empresa particular de enriquecimento ilícito,
uma máfia profissionalizante com especialização em safadeza corruptora. O
desinteresse pela coisa pública é exibido em doses monstras. As
habilidades ilícitas e descobertas ou, no mínimo, duvidosas, são
abafadas por anulação de votações ou substituição de membros
indesejáveis e mais capacitados na área, nos Conselhos Municipais mais
atuantes. A falta de ética revolta, escandaliza, perverte instituições e
deseduca o povo que, de tanta coisa se aperceber, fica apático,
encaroça em resignação. O que se exibe como realização pertence ao
passado, a outra administração que desaguou nesta com obrigações de
projetos não realizados. Nem discursos prolongados nem toneladas de
argumentos inventados conseguirão falsificar o que a todos parece
evidente. Os vencimentos pagos cada mês não constituem favor nem valor
suficiente para justificar tanta nulidade administrativa. Há secretarias
abandonadas, outras têm seus responsáveis em outras cidades,
desempenhando cargos acumulados e bem pagos. Secretários houve que se
demitiram temendo ser presos, por práticas ilícitas a que se viam
constrangidos. Isto é o que consta na rua! A Paróquia lutou pela "ficha
limpa" e sabe que alguns políticos locais não gostaram. Compreendemos a
razão! E muito gostaríamos que a vida privada de quem assume
responsabilidade pública servisse de bom testemunho ao ambiente
familiar, infelizmente, tão decaído entre nós!

 

        
F
ugir ao olhar público não é solução. É uma
triste opção de quem não pretende modificar o proceder nem aceitar
justas críticas. Não se pode agüentar por mais tempo tanto abuso. A
falta de autoridade tudo permite, a tudo incentiva. As únicas pessoas
que persistem, cansativamente, no trabalho, manejando a imaginação com
mestria e os acontecimentos com falácia, são as encarregadas de defender
e justificar esta prática injustificável. Cargo pesado! Certamente bem
remunerado, porque difícil e vergonhoso, fruto de uma geração jovem
inteiramente perdida!”

 

 

 

 
         Unidos pela Partilha, na mesma
Missão. 
 
 
         pe. pedro josé

(*)
FONTE:
in Vida
Nova
– Boletim Formativo e Informativo da Paróquia de N. S. das
Dores – Chapadinha // DIRETOR – Manuel Neves // DIRETOR-Adjunto – Pedro
José; N°11 – 13/06/2010, pp.2-3.