FRAGMENTOS:  INÍCIO DO CAPÍTULO III: Obssessões e angústias

” Você está em seu quarto e, sem pedir licença, entra um inimigo e fecha a porta. Você não pode expulsar o intruso, tampouco sair de seu quarto. A obssessão é isso; é como se tivéssemos de coabitar com um ser estranho e inconveniente, sem poder expulsá-lo.”

“…A maior infelicidade que um homem pode experimentar é sentir-se intimamente vigiado por um soldado, sem poder ser autônomo nem dono de si…”

“… Existem pessoas que, quando estão preparando a bagagem para uma viagem, abrem a mala cinco ou seis vezes para verificar se colocaram determinado objeto; pessoas que se levantam várias vezes da cama para verificar se a porta está bem fechada; pessoas que passam o dia inteiro lavando as mãos… Poderíamos multiplicar os exemplos…”

…Há a obssessão da culpa, do fracasso, do medo, da morte, das diferentes manias…”

“… As obssessões nascem quase sempre em um terrível círculo vicioso: a vida agitada, as grandes responsabilidades e um ambiente hostil e dominador… Tudo isso leva a uma desintegração da unidade interna, com uma grande perda de energia. Assim o cérebro precisa acelerar a produção de energias com o consequente cansaço cerebral…Esse cansaço cerebral deriva rapidamente em cansaço mental. O cansaço mental, por sua vez, nada mais é que fraqueza mental. E fraqueza mental significa que todos os estímulos externos se agarram a você, dominando-o; você não consegue ser dono de seus mundos interiores, porque justamente os pensamentos e as emoções mais desagradáveis se apoderam de você, se instalaram sem motivo nem razão, e passaram a dominar sem contrapeso os mecanismos de sua liberdade. E aquilo que você teme e ao qual opõe resistencia fixa-se em você, domina-o, na medida em que você o teme e lhe opõe resistencia…”

“… Isso acontece porque os pensamentos obssessivos são mais fortes que sua mente, que está muito fraca. E sua mente está fraca porque seu cérebro está muito cansado e, por sua vez, seu cérebro está muito cansado porque precisa produzir aceleradamente grande quantidade de energia…”

LARRAÑAGA, Inácio. A arte de ser feliz: Orientações práticas para alcançar a paz interior, o sentido da vida e a alegria de viver. 5. ed. – São Paulo: Paulinas, 2007.

POR Robson Silva