Há um homem: simples e singular;

Não mendiga nem sacode as poeiras dos pés quando entra em qualquer ambiente;

Não sai de porta em porta com discursos nascidos da miséria, da condição humana.

Não rotula sua identidade nem usa máscara.

Mas também não é um ser da alta sociedade ou da sociedade alta: Altura criada pelos homens.

Não usa óculos escuros, para não esconder seu rosto e nem disfarçar seu olhar.

Não usa paletó, porque não tem contornos falsos no corpo para ocultar.

Não usa pasta nas mãos, como fazem os grandes, para não inventar uma postura cabalística de quem é alguma coisa sem ter nada.

 

É um homem simplesmente simples.

Tem história para contar sem saber contar histórias;

Tem consciência no que pensa sem pensar no que está pensando.

Perto dele, as coisas não mudam, ele muda.

É melancólico, sem ter melancolia.

Sonha, sem ter sonho.

Dá gritos com ecos impossíveis.

Suspira imperceptivelmente os orvalhos secos das manhãs ensolaradas.

Passeia em montanhas altas e baixas.

Mede seus passos sem auxílio do metro.

Sorri chorando por dentro.

É solitário, sem estar sozinho.

Abraça permitindo que os corações se cumprimentem.

 

Há um homem que escreve na alma e na lama.

Fala com ações.

Silencia o silêncio em sua madrugada.

Busca encontrar-se em caminhos não marcados, em horas distantes, aprender com a vida em vida, vivida, não dividida, percebida na lida.

Robson Jr.