Estar em algum lugar, depois ir para casa.

Ir para casa, desejo ínfimo e maiúsculo do ser;

Ir para casa é encontrar-se consigo mesmo, com suas origens e mazelas;

Fraquezas singelas. É ser próprio.

É refúgio, consolo imediato e duradouro.

É reconhecer o limite de si mesmo, sua fragilidade colorida.

Ir para casa é perceber as belezas internas e externas comparando-as.

É ver o mundo de longe para aproximar-se dele e sentir-se  parte.

É desviar a atenção das exigências corrosivas e desconexas.

Sentimento inexplicável.

Ir para casa é lutar contra seus medos sem eliminá-los.

É gostar do cheirinho bom de cada compartimento solitário;

É estar diante do espelho buscando respostas para entender seu EU em relação ao outro.

É poder fazer algo e nada.

É querer estar perto de alguém que se gosta, sem saber como expressar tal gosto.

É esconder suas misérias e desilusões;

Ensaiar suas amarras e paixões.

É dar passos em falso nas imperfeiçoes do caminho, mas com ênfase na chegada.

Ir para casa é encontrar uma infinitude de possibilidades e poder recomeçar.

É andar descalço e sentir o chão frio murmurando de alegria.

Por fim, ir para casa, é sentir a acolhida ambiente;

O sorriso das paredes manchado de tinta;

A melancolia das horas que chegam e que saem;

O silêncio amargo que se cria após notícias doloridas e doentes;

Mas depois é fitar os olhos no ar, no espaço azul do céu e optar por mudança.

Desejo incontido, possível e não lido.

Robson Jr.