CIDADE ALTANEIRA

Cidade altaneira

Em linhas retas precisas ser

Completas mais um ano que testemunha o relógio biológico do tempo

Não é nova nem velha

És inteira

Tua idade inventada pelos homens não corresponde à grandiosidade de tua magnífica geografia, que irradia

Cidade altaneira

Tua imagem está estampada no fervor das ruas, das calçadas nuas

Das praças públicas, dos becos estreitos em cada adereço e endereço

Nos canteiros desajeitados onde se esconde tua flora bela e doce

Nas crianças negras e brancas, pobres e ricas, tímidas e audaciosas

Nas mães que acalentam seus filhos e nos filhos que procuram suas mães

Cidade altaneira

Teus desejos dissecados

Deleitam-se em cada rosto dos teus filhos amados

Teus filhos amados sendo amados

Tu terás um rosto nobre almejado

Cidade altaneira

Teu progresso permanece vivo e pronunciado

Mas com passos lentos e cadenciados

Ainda não foram alcançados

Pedimos-te perdão pela mera presença

Sem engendrar um olhar profícuo

Que tantas vezes só profiglou tua imagem

Fazendo-te descer diante do espelho

Cidade altaneira

Teu voo quer ir longe

A timidez embaçada

Faz-te embocar num leito largo desconhecido

Onde as lágrimas se desconhecem, o riso se cala e a razão se confunde

Cidade altaneira

Tu tens afeto de mãe que acolhes todos os homens

E fazes deles filhos teus

Tua história penetra nas veias e na alma de cada ser que por ti passou

Cidade altaneira

Tua forma, teu corpo, relevos e chapadas

Misturados à multidão que transborda vitalidade

Multidão sem recuo no riso

Quer fazer de ti um pequeno paraíso preciso, com juízo e otimismo

Uma grande nau

Robson Jr.