Pelo portão ou pela janela

Sem portão e sem janela

Observo as pessoas que passam

Desfilam pelas ruas nuas feitas de pedra

De um lado e outro, muros estreitos,

casas pintadas protegem-na

As pessoas que passam são grandes,

pequenas, de todas as cores,

gestos e atitudes, destino, objetivos

diferentes.

Visão calculada, demarcada, vultos e imagens.

Fico parado imaginando, cantando a poesia que sai da garganta do

pensamento

Enquanto as pessoas passam, a pé, de bicicleta, de carro, de carona,

sozinhas ou acompanhadas.

Escrevo e ergo a cabeça

Os movimentos não param

 As cenas são contínuas a cada segundo

Imagino como as pessoas olham a vida.

Olhar individual-singularizado, múltiplo, diferenciado

Olhar e olhares.

Para cada coisa, se definem como um

Para cada forma, reagem como tal

Para cada momento ou sentimento, refletem, ficam, ativam-se

Para cada lado ou posição, transmitem leitura.

As pessoas precisam aprender a olhar

Tento observar tudo.

Olhar tudo

Ler as páginas da vida

Olhares não disfarçados, inquietos

Os olhares constroem e destroem

Olhar e ver, ver e olhar. Eis a questão.

Robson Jr.