Disciplina da linguística que se dedica ao estudo dos processos psicológicos subjacentes à produção da linguagem verbal. A psicolinguística dedica-se ao estudo dos seguintes assuntos:

• Processos subjacentes à aquisição da língua materna:
– a linguagem dos bebés
– desenvolvimento da articulação da fala
– desenvolvimento da compreensão da fala
– relações entre produção da fala, compreensão da fala e pensamento
– aprendizagem e processamento de palavras de sentido abstrato
– funcionamento de mecanismos de memorização, lógica no estabelecimento de regras e atenção

• Processos cognitivos de aquisição da leitura e escrita pelas crianças

• Processo de aquisição de uma segunda língua por crianças e adultos
– Fatores psicológicos e sociais que afetam a aquisição da segunda língua
– Outros aspetos que afetam essa aquisição: contexto, motivação e atitude

• Problemática das linguagens dos animais e a sua comparação com a linguagem humana
– Linguagem das abelhas
– Ensino de formas de comunicação a chimpanzés, gorilas e orangotangos
– Ensino de língua a papagaios
– Linguagem dos golfinhos

• Métodos de ensino/aprendizagem de línguas naturais (línguas materna e segunda)
– Métodos tradicionais (Gramática-Tradução; Natural; Direto; Audiolígua)
– Métodos modernos (Resposta Física Total; Ensino da Linguagem Comunicativa, Abordagem Natural)
– Comparação entre métodos e avaliação da sua eficácia e objetivos

• Análise de casos de bilinguismo e processamento cognitivo das duas línguas
• Relação entre pensamento, linguagem e cultura
• Aprendizagem das gramáticas naturais pelo cérebro humano
• Relação entre linguagem e cérebros para a compreensão do desenvolvimento dos distúrbios da linguagem
– Afasias – problemas relativos à articulação da fala devido a lesões cerebrais
– Dislexias – perturbações na aquisição leitura
– Agrafias (problemas de aprendizagem e desenvolvimento da escrita) – disgrafias (dificuldade na aprendizagem do grafismo, i.e., da reprodução de signos gráficos) e disortografias (dificuldade em escrever as palavras corretamente).

A psicolinguística surgiu como disciplina autónoma por volta dos anos cinquenta, a partir da necessidade sentida por parte de um grupo de psicólogos e linguistas, de entre os quais se destacam C.E. Osgood, G.A.Miller, J.B. Carrol, T.E.Sebeok.
Noam Chomsky (1957) é outro nome fundamental em psicolinguística. Chomsky distinguiu competência de performance, um pouco na linha de F. Saussure que distinguiu langue de parole. Desenvolve, assim, um modelo de organização mental da linguagem baseado na competência (conhecimento inconsciente que o falante possui da língua), plano do conhecimento que decide sobre a gramaticalidade ou agramaticalidade de uma frase e que é responsável pela criatividade linguística (capacidade de formar frases nunca sempre novas a partir de um conjunto finito de elementos). Por oposição, a performance é a aplicação que o falante faz desse conhecimento. Chomsky defendeu que a psicolinguística devia definir um modelo de performance linguística, que compreendesse as possibilidades de utilização do modelo da competência, tendo em conta os fatores psicológicos subjacentes a cada falante (personalidade, memória, perceção, afetividade, etc.). A psicolinguística tem sido muito influenciada pelos modelos fornecidos pela gramática generativa e mais recentemente pela neurolinguística, pela linguística cognitiva e pela terapia da fala.

fonte: http://www.infopedia.pt/$psicolinguistica.  psicolinguística. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-02-12].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$psicolinguistica&gt;.