Teorias de Aquisição da Linguagem

Desde os anos cinquenta que têm surgido várias teorias relativamente à aquisição da linguagem. Enquanto uns defendem que um bebé aprende de forma inata, outros dizem que aprende por imitação, ou ainda, devido ao contexto social em que está inserido.
Embora não haja ainda conhecimento exacto de como e porquê a criança adquire linguagem, de forma geral, é tido como certo, de que tem a ver com três factores: maturação física, desenvolvimento cognitivo e socialização. No entanto, o contributo particular de cada factor para esse processo, ainda é bastante discutido. Assim como as teorias que, apesar de, todas terem dado o seu contributo para o conhecimento actual da linguagem e os seus problemas, ainda nenhuma obteve a adesão geral de todos os linguistas.

Perspectiva Inatista

A hipótese inatista da aquisição da linguagem é uma teoria proposta por Chomsky nos anos 50, segundo a qual o ser humano nasce com uma capacidade inata no cérebro para adquirir linguagem, da mesma forma como adquire o andar. A tarefa da criança será a de desenvolver a sua faculdade em função do ambiente que a rodeia e não apenas a de imitar o que ouve (Costa e Santos, 2003).
Chomsky aponta alguns argumentos fortes em defesa da sua teoria, sendo eles, o facto de os bebés terem a capacidade de produzir palavras ou frases que nunca ouviram antes. Se a aquisição fosse um processo meramente imitativo a criança não produziria essas mesmas frases. Assim como o facto de as crianças serem sistemáticas nos seus erros, se a criança estivesse apenas a imitar ela não deveria ser sistemática, nem manter-se assim durante um certo período do desenvolvimento (Costa e Santos, 2003). No entanto, outro facto que vai favorecer a hipótese inatista é de que as crianças nos seus erros já revelam conhecimentos gramaticais, por exemplo, a criança tem tendência a analisar um verbo como fazer, tratando-o como se fosse um verbo regular, e isto nunca lhe foi ensinado. Este facto só demonstra que “…os bebés sabem mais gramática do que se poderia pensar, apesar de este conhecimento ser inconsciente.” (Costa e Santos, 2003).
Chomsky defende ainda a universalidade e a sequencialidade a favor da sua hipótese inatista. Segundo Chomsky todas as crianças passam por fases semelhantes de aquisição da linguagem, independentemente da língua que estão a aprender, no entanto, isto não significa que todas as crianças passem exactamente pelas mesmas fases.
Este processo de aquisição, uma vez que a criança já possui capacidades inatas para analisar a estrutura da língua, é um processo rápido e simples.
Os recém-nascidos respondem à linguagem de formas sofisticadas, e distinguem nos primeiros meses sons muito parecidos, o que não seria possível sem uma capacidade inata.
Por último podemos referir o facto de existir uma fase crítica para a aquisição da linguagem. Este argumento de que existe um período, que ocorre nos primeiros anos de vida, essencial para que a criança possa vir a falar, vem favorecer também a hipótese inatista. A linguagem assim como outros processos de desenvolvimento psicomotor têm de ser estimulados para amadurecerem na altura devida, caso contrário, correm o risco de atrofiar.
Concluindo pode-se dizer que para Chomsky os bebés já nascem predispostos para aprender a falar, e todos os argumentos referenciados anteriormente, só demonstram que o bebé não começa do nada (Costa e Santos, 2003). Cada criança possui já à nascença um conjunto de regras que uma língua pode ter, não necessita de as aprender. A sua tarefa acaba por ser a de observar a forma como é utilizada a língua que é falada no meio em que ela está inserida.

Perspectiva Cognitivista

Esta perspectiva defende que a aquisição da língua se prende com a evolução psicológica das crianças. Para estes teóricos, aprender a falar está necessariamente relacionado, ou seja, depende da aprendizagem ou maturação de outros processos cognitivos. No entanto, tem-se vindo a provar que o desenvolvimento linguístico é independente do desenvolvimento de outras capacidades cognitivas. Provas disso são a existência de patologias que afectam apenas capacidades linguísticas sem afectar outras capacidades cognitivas.

Perspectiva Comportamentalista

Os comportamentalistas defendem que a aquisição da linguagem se desenvolve através de interacções sociais de tipo estímulo – resposta. Assim os bebés aprendem a falar através da imitação daquilo que ouvem à sua volta. Para os comportamentalistas o processo de aquisição da língua reduz-se a um mero desenvolvimento de hábitos verbais reproduzidos por imitação. (Costa e Santos, 2003).
Chomsky, como já foi referido anteriormente, vem contrapor esta perspectiva, afirmando que os bebés não se limitam a reproduzir aquilo que ouvem.

Teoria Pragmático – Social – Interaccionista

Muitos interaccionistas, baseando-se em algumas teorias como a do inatismo, defendem que, aliada a uma capacidade inata para adquirir linguagem, estão outros factores de natureza social que podem condicionar o comportamento linguístico e que produzem diferenças de criança para criança.
Alguns dos factores não linguísticos que podem interagir com o processo de aquisição são: os demográficos, como o sexo do bebé, ou se é primeiro ou segundo filho; características de personalidade, como timidez; factores sociais, como tipo de interacção com os adultos, necessidade de comunicação; ritmos individuais de desenvolvimento; entre muitos outros. (Costa e Santos, 2003).
A teoria pragmática defende que a linguagem é aprendida e ensinada, através da interacção social, e que o contexto sócio-cultural determina o que será aprendido, como será aprendido, e a forma como essas aprendizagens serão utilizadas para comunicar.
É necessário perceber que existem mecanismos inatos que tornam o processo de aquisição da língua mais simples, mas há também uma grande variedade de factores não linguísticos que interagem com esses mesmos mecanismos e que podem condicionar os comportamentos de cada indivíduo.

fonte: www2.ilch.uminho.pt/portaldealunos/Estudos/EP/AH/.